terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A nova reforma ortográfica, stay tunned!

Bom, quem ainda não ouviu falar da nova reforma ortográfica está deveras desatualizado. Não obstante, apesar de muitas pessoas terem ciência da reforma, poucas sabem o que realmente vai mudar na nossa escrita.

Creio que este é um assunto importante a tratar, mesmo no nosso blog, dedicado principalmente às ciências exatas. A reforma ortográfica tomou tamanha proporção que nenhum blog ou site sairá incólume. Inclusive o nosso. É hora de fechar o livro de cálculo e saber como você vai ler ou escrever daqui pra frente.

Um pouco de história

Este acordo ortográfico já está sendo discutido há bastante tempo. Em 1990, representantes de oito países de língua portuguesa se reuniram com um único objetivo: unificar as regras gramaticais e simplificar a grafia. O processo é tão lento e delicado que só agora o público tomou conhecimento do assunto. É importante ressaltar que o Brasil pretende que as mudanças já estejam implementadas nos livros didáticos em 2009. Mas vale lembrar que este é um processo lento. Pense nas milhares de editoras do Brasil tendo que revisar todos os seus livros. Portanto, as duas grafias (a antiga e a nova) continuarão valendo até Dezembro de 2012

É digno de nota neste humilde blog que a reforma não é um consenso entre os estudiosos. As divergências existem até entre membros da Academia Brasileira de Letras (aquele mausoléu que eu não sei para que serve). Portanto, se você não gostou de ter de re(?)aprender as regras, você não está sozinho.

Vamos ao que interessa, o que muda?

  • Linguiça. É assim que você vai passar a escrever daqui pra frente. O trema foi completamente suprimido, com excessão das palavras estrangeiras (alemãs principalmente).

  • Se não bastasse, tiveram a brilhante ideia de remover os acentos nos ditongos abertos, isto é, "ei" e "oi" paroxítonas. Desta forma, idéia passa a ser ideia. E aí, já está ficando paranoico? O acento circunflexo quando dois "os" ou "es" estão juntos também sumirá. Portanto, vôo passa a ser voo e crêem passa a ser creem.

  • Acento diferencial? Esqueça isso, agora você terá de descobrir a palavra pelo contexto. Por exemplo, o pára (verbo) passa a ser para, igual a preposição. Pôde, no pretérito, fica igual ao pode no presente do indicativo. E assim vai, por e pôr, pelo e pêlo, etc. É importante ressaltar que a terceira pessoa do plural dos verbos ter e vir permanece com acento. Ou seja, eles têm, eles intervêm.

  • O hífen sumiu de quase todas as palavras [1] . Será mantido em palavras compostas cuja segunda palavra começa com h, como pré-história. Será introduzido em palavras compostas cuja a última letra da primeira palavra é igual a primeira da segunda. Ou seja, agora se escreve micro-ondas. As palavras que têm os prefixos ex, sem, além,aquém, recém, pós, pré e pró ficam com o hífen. Quero deixar claro que não se preocupem com o hífen, sempre foi um pé-no-saco e vai continuar sendo, tem muitas regras. O melhor é ler bastante e se acostumar a escrita.

  • Yes! Agora as letras k, y e w voltaram a fazer parte do alfabeto, mas só serão usadas em palavras estrangeiras, OK?

  • Existem alguns outros detalhes, como por exemplo, não se acentua mais a letra u nas formas verbais rizotônicas (parece alguma coisa de química), isto é, argúi passa a ser agui.

Basicamente é isso, outras mudanças atingem mais a escrita dos portugueses. Como, por exemplo, facto passa a ser fato, assim como nós escrevemos.

Um pouco de números =D, afinal, você está no LeGauss

A reforma atingirá:

- 0,43% das palavras no Brasil
- 1,42% em Portugal (sim, eles estão p* da vida)

O idioma português é o quinto mais falado no mundo. Em pessoas, este número se traduz em 240 milhões de falantes nativos. A comunidade lusófona é constituída de 10 países e alguns lugares estranhos na Índia.

O alfabeto agora passa a ter 26 letras.

Comentários finais

Se você ficou meio tonto com tantas mudanças, fique calmo. Hakuna matata. A mudança será feita paulatinamente. Até quem escreve livros, quem estuda gramática, terá dificuldade em se adaptar. Mudanças devem ser feitas assim, de pouco em pouco, são processos graduais. E isto se aplica em qualquer coisa. Revoluções tendem a ter proporções catastróficas pois são mudanças que acontecem muito rapidamente, num átimo de tempo. Então, o melhor a se fazer é ter uma noção geral do que mudou e ler muito. Este conselho vale pra sempre, viu? ;-)

Até.

Notas:

[1] Não sei se o bi-dimensional no topo está certo ou errado. Mas vou deixar assim e pronto!




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