No post Uma prova topológica para o Teorema de Cayley-Hamilton mostrei como demonstrar o Teorema de Cayley-Hamilton por continuidade, utilizando uma topologia diferente da usual. Porém, esta topologia é tão diferente que algumas boas propriedades, como ser Hausdorff, são perdidas. Este fato fez com que a demonstração ficasse mais complicada (e mais sutil na parte final) do que era para ser.
Neste post, quero apresentar uma outra forma de contornar o problema. Talvez o argumento que irei utilizar seja menos intuitivo, mas com certeza é mais simples, pelo fato de não precisarmos nos preocupar com separabilidade. Se você não leu o primeiro post, clique no link ali em cima.
Neste post, quero apresentar uma outra forma de contornar o problema. Talvez o argumento que irei utilizar seja menos intuitivo, mas com certeza é mais simples, pelo fato de não precisarmos nos preocupar com separabilidade. Se você não leu o primeiro post, clique no link ali em cima.
Teorema. Seja
uma matriz quadrada de ordem
, com coeficientes num corpo
, e
seu polinômio característico. Então
Demonstração. Seja
. Como
é quadrada, de ordem
, podemos enxergar
como um elemento de
. Além disso, o discriminante de
pode ser visto como um polinômio em
variáveis avaliado nos coeficientes de
, pois os coeficientes de
são polinômios em
e o discrimininante de
é um polinômio nos coeficientes de
.
Assim, podemos falar de um polinômio de
variáveis
chamado discriminante. Se o discriminante de
, ou seja
, é não nulo, então
tem
raízes distintas e
é diagonalizável. O conjunto das matrizes cujo discriminante de seu polinômio característico é não nulo, é, portanto,
, que é aberto na Topologia de Zariski e, consequentemente, denso em
.
Considere, novamente, o polinômio característico
de
. Pensando nos coeficientes de
como variáveis, então podemos enxergar
como um polinômio de
variáveis: os coeficientes
e
. Avaliando este polinômio em
, temos a matriz
. Agora, cada uma das
entradas de
é um polinômio em
. Sejam
estes polinômios (vou omitir as variáveis para não carregar a notação).
Queremos decidir, então, quais matrizes
, i.e., quais elementos de
, satisfazem estes
polinômios. Em outras palavras, queremos saber quais matrizes
estão no conjunto algébrico
. Mas já sabemos que
. Como
é denso em
e
é fechado, então
. 
Note que, apesar de não utilizarmos nenhuma função contínua nesta demonstração (em contraponto com a outra), ainda estamos nos aproveitando de um argumento de continuidade, pois dizer que
é denso em
é dizer que toda matriz
está arbitrariamente próxima de uma matriz diagonalizável.
Utilizando esta mesma ideia deste post, você também pode resolver o desafio do primeiro post de uma maneira mais fácil.
Assim, podemos falar de um polinômio de
Considere, novamente, o polinômio característico
Queremos decidir, então, quais matrizes
Note que, apesar de não utilizarmos nenhuma função contínua nesta demonstração (em contraponto com a outra), ainda estamos nos aproveitando de um argumento de continuidade, pois dizer que
Utilizando esta mesma ideia deste post, você também pode resolver o desafio do primeiro post de uma maneira mais fácil.
3 comentários:
Acho que essa forma é mais simples mesmo =P
Nãaao, o Hamilton chegou atras do Vettel e Alonso pode ser campeão já em interlagos
Pois é, tudo porque ele está sem seu amigo Cayley na equipe.
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